20/02/2002

Cirurgia de ponte de safena é três vezes mais perigosa para as mulheres

Steve Sternberg

De acordo com os resultados de um novo estudo, as mulheres têm um risco três vezes maior do que os homens de morrerem durante ou após uma cirurgia para implantação de pontes de safena.

Os pesquisadores afirmam que as diferenças nos índices de mortalidade - que o estudo foi elaborado para detectar, mas não para explicar - podem obrigar que se faça uma rigorosa reavaliação dos riscos e benefícios da cirurgia de ponte de safena em mulheres. Os médicos dizem que também terão que reavaliar a maneira como a cirurgia é feita nas mulheres.

O chefe da equipe de pesquisas, Viola Vaccarino, da Emory University, afirma que o estudo revela dois paradoxos intrigantes.

- Mulheres com menos de 50 anos de idade geralmente correm menos riscos do que os homens de sofrerem de cardiopatias, já que as mulheres produzem estrogênio, que acredita-se que ajude a manter as artérias saudáveis.

- As mulheres que foram objeto do estudo tinham doenças coronarianas menos graves do que os homens - talvez devidos aos efeitos protetores do estrogênio. Mesmo assim as mulheres têm maior probabilidade de morrer após a cirurgia.

"Pode ser paradoxal, mas é verdade", afirma Vaccarino.

O estrogênio, embora aparentemente proteja o coração de algumas mulheres, pode exercer efeitos adversos sobre o tecido cardíaco de outras. Alguns estudos demonstram que as mulheres no período pós-menopausa, que fazem terapia de reposição hormonal (TRH) de longo prazo, tem maior probabilidade de sofrerem de cardiopatias do que aquelas que não fazem THR.

Os pesquisadores acreditam que a TRH pode desencadear uma inflamação, o que danificaria as artérias e facilitaria a ocorrência de doenças da artéria coronária. O estrogênio natural também poderia desencadear a inflamação das artérias em certas mulheres jovens, especula Vaccarino.

Na cirurgia de ponte de safena, os médicos removem um pedaço de veia da perna do paciente e o utilizam para fazer com que o fluxo sanguíneo contorne as artérias bloqueadas que reduzem o suprimento de sangue para o coração, privando o órgão de oxigênio. Os cirurgiões cardíacos realizam 570 mil operações de ponte de safena nos Estados Unidos por ano, sendo que 182 mil delas são realizadas em mulheres.

"Parte do problema pode ser que a técnica foi desenvolvida para ser aplicada aos homens, que possuem artérias mais largas do que as mulheres", explica Vaccarino. "A operação é mais difícil quando as artérias são pequenas".

No estudo, que será divulgado na próxima segunda-feira na edição online do jornal "Circulation", Vaccarino e seus colegas pesquisadores avaliam os registros médicos de 51.187 indivíduos que passaram por cirurgias de ponte de safena entre 1993 e 1999. Cerca de 30% desses pacientes, ou 15.178 indivíduos, eram mulheres.

Entre as descobertas:

- Em média, 5,3% das mulheres morreram no hospital, contra 2,9% dos homens.

- O índice de mortalidade das mulheres com menos de 50 anos foi de 3,4%, comparados a 1,1% para os homens.

- A diferença na taxa de mortalidade diminuiu a medida em que a idade das mulheres aumentava. Nos pacientes com mais de 80 anos, por exemplo, o risco de morte era de 9% para as mulheres e de 8,3% para os homens.

- As mulheres diabéticas ou portadoras de outras doenças demonstraram correr aproximadamente o mesmo risco de morrerem após uma cirurgia de ponte de safena que as mulheres que não tinham outros problemas de saúde.

"Um estudo dessa natureza faz com que o interesse das pessoas pela prevenção aumente", afirma Rose Marie Robertson, diretora médica do Instituto do Coração de Mulheres, da Universidade Vanderbilt, em Nashville.

"Os resultados da pesquisa fizeram com que ficássemos ainda mais determinados a tentar eliminar a necessidade de se fazer pontes de safena em todos os pacientes, mas, especialmente, nas mulheres", afirma Robertson.

Tradução: Danilo Fonseca

Fonte: USA Today


 
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