15/04/1999

Promotor acusa clínica por abortos

CARLOS NOBRE

O promotor Júlio César Lima dos Santos, do 2° Tribunal do Júri, denunciou ontem 27 pessoas - médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, seguranças - do Centro Médico Santo André (Cemesa), que fica na Rua Dona Mariana 216, em Botafogo (Zona Sul), sob acusação de prática de aborto e formação de quadrilha. Detetives da 10ª DP (Botafogo) deram um flagrante na clínica em 20 de novembro do ano passado.

O presidente do 2° Tribunal, juiz José Geraldo Antônio, decide hoje se aceita a denúncia contra os 27 indiciados no inquérito policial. O promotor acusa proprietários e funcionários com base em provas periciais e documentos que indicam ser o Cemesa uma clínica de abortos. Lima dos Santos está revendo, no entanto, a situação de sete indiciados, que podem ter seus processos suspensos.

Os médicos Evangelista Pinto da Silva Pereira, Valter Cardoso Franco, Ivan Sartori e Terezinha Cristina Gomes, que seriam sócios na clínica, foram denunciados por formação de quadrilha. O promotor diz que os quatro se associaram para transformar o Cemesa numa clínica clandestina de abortos.

Dois dos quatro donos da clínica estão sendo defendidos por Jair Leite Pereira, que ontem nada revelou sobre a estratégia de defesa de seus clientes, já que estava num julgamento no 3° Tribunal do Júri. Outros réus não contrataram advogados, pois ainda não estão sabendo da denúncia.

O Cemesa foi invadido quando os policiais executavam um mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Moacir Pessoa de Araújo, da 17ª Vara Criminal, para apurar uma denúncia de cárcere privado. Segundo os detetives, o fotógrafo Flávio Heyde havia ficado detido por seguranças, no Cemesa, por 20 minutos.

Quase uma fortaleza
Circuito interno de TV, passagens secretas, um triturador de fetos. Estes equipamentos da Cemesa, encontrados pelos policiais em 20 de novembro passado, durante uma operação para cumprimento de um mandado de busca e apreensão, indicaram que o local era utilizado para abortos e não uma clínica ginecológica. Sob o controle de quatro médicos, a Cemesa tinha ainda uma porta blindada que impedia o acesso ao centro cirúrgico. Na época, os policiais disseram que a clínica já havia sido interditada diversas vezes e era conhecida como um centro de prática de abortos. Para vasculhar o prédio, os policiais precisaram arrombar 30 portas.

Ao entrar na clínica, os policiais esperaram cerca de dez minutos para chegar ao centro cirúrgico. A porta blindada, com seis trancas, impedia o acesso à sala. Especialistas do Esquadrão Anti Bomba e do Serviço de Ações Táticas (Sat) foram acionados caso fosse necessário explodir a porta. Os policiais suspeitaram de uma estante e descobriram a primeira passagem secreta, que dava acesso ao prédio vizinho, onde havia diversos quartos com leitos.

Durante a ação policial, dez mulheres esperavam atendimento, cinco tinha acabado de abortar e estavam escondidas em cômodos secretos. Foram presos em flagrantes dois médicos, um segurança armado e três enfermeiros. Todos foram indiciados por prática de aborto na 10ª DP, em Botafogo.

As cinco mulheres que tinham passado pela sala de cirurgia foram levadas para perícia no Instituto Médico Legal (IML). Duas pacientes apontaram o médico Ivan Sartori, detido no local, como um dos responsáveis pelos abortos. Uma das funcionárias clínica sofreu um ataque cardíaco durante a interdição da Cemesa.

Fonte: Jornal do Brasil - Rio de Janeiro/RJ - .15.04.99


 
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