04/11/2002

Aos pais e avós cabe estimular a proteção dos testículos dos meninos durante a prática esportiva

VARICOCELE

Doença típica dos bons atletas

Antes do advento das cuecas de corte moderno tipo Zorba, nos anos 1970, os meninos que praticavam atletismo, basquete e volei, entre outros esportes, estavam sujeitos a desenvolver a varicocele, que simplificadamente é um tipo de varize nos escrotos, ou seja, dentro do saco escrotal, os testículos. O problema persiste em muitos meninos, apesar da cuecas modernas impedirem o choque do saco escrotal com as coxas e a agressão muscular quando do impacto durante pulos na prática de esportes como salto em distância, salto triplo e corridas com obstáculos etc. O problema da varicocele é sério, pois acarreta, inclusive, a infertilidade. Estarão quase sempre inférteis - a partir dos 35 anos de idade - as vítimas de varicocele que submeteram-se à cirurgia ou que desenvolveram a hidrocele, que vem a ser o acúmulo de líqüido dentro do saco escrotal.

CÉSAR HENRIQUE ARRAIS
CORREIO BRAZILIENSE/ASSOCIADOS
E AGÊNCIAS AE, EFE, REUTERS, FOLHA

Uma das doenças mais comuns a atingir os adolescentes continua sendo a varicocele, que decorre da dilatação precoce dos vasos sangüíneos que irrigam o saco escrotal. A enfermidade ainda costuma atingir cerca de 15% dos brasileiros adolescentes e adultos - da faixa etária entre 11 e 30 anos.

Mas este problema não é difícil perceber quando do seu aparecimento. Entretanto, a doença persiste porque os meninos não são orientados pelos pais e avós a examinarem os saquinhos com as pontas dos dedos, para perceber possíveis alterações. O sintoma mais comuns é uma dor tolerável nos testículos.

Trata-se de uma sensação de peso no saco escrotal e um inchaço ou atrofia no testículo, geralmente o esquerdo. Mas só a partir de um exame clínico pode-se detectar realmente se é a varicocele. A conseqüência mais grave da doença é a infertilidade, mas existem outras, como a dificuldade em praticar esportes saudáveis.

Cerca de 40% dos adultos homens estéreis no Brasil tornaram-se incapazes de ter filhos em função da varicocele. Isso acontece por conta da irrigação sanguínea dos testículos, que fica irregular com a doença, não criando o ambiente propício para a formação de espermatozóides saudáveis.

Em quem tem varicocele o nível de produção de espermatozóides continua o mesmo. Só que a qualidade dos espermatozóides cai, ficando muito ruim. Os espermatozóides defeituosos são incapazes de fecundar o óvulo, explica o urologista Romulo Maroccolo Filho. Daí, o casal fica impossibilitado de ter filho em decorrência do problema no marido.

Auto-exame também pode detectar outras doenças

A doença tem cura e, em 95% dos casos, a infertilidade pode ser revertida. Daí a importância do diagnóstico precoce. O auto-exame masculino pode ajudar a detectar a varicocele e outras doenças, como o câncer dos testículos. Portanto, a família deve se aglutinar também para essa prevenção, fundamental para a continuidade familiar.

No universo feminino, o ritual é comum. Após a menstruação - geralmente entre os 10 e os 13 anos - a mãe leva a filha ao ginecologista. Lá, além de ser examinada em busca de possíveis enfermidades, a menina é melhor apresentada ao seu próprio órgão reprodutor, e aprende como cuidar direito dele.

Infelizmente, quanto aos meninos, na maioria das vezes os pais e avós são omissos, e os meninos acabam obrigrados a fazer tudo sozinho, descobrir-se... E, sem a orientação adequada, acabam desenvolvendo uma doença que poderia ter seu curso interrompido ainda no início.

O pai brasileiro, quando se interessa pela sexualidade do filho, quase sempre só fica voltado para um único detalhe, o da primeira vez, da perda da virgindade do menino ou adolescente. A ida ao médico, de tempos em tempos, portanto, pode evitar sérios problemas no futuro do filho.

A varicocele costuma atingir os meninos a partir dos 11 anos de idade, quando a prática esportiva é mais intensa. Cerca de 15% dos meninos nascem propensos a desenvolver a doença. Os testículos são importantíssimos para os meninos porque são também os órgãos responsáveis pela produção dos hormônios masculinos.

Para a formação de espermatozóides perfeitos, capazes de fecundar um óvulo, os testículos precisam estar sob circunstâncias ideais. Com a dilatação de algumas veias que irrigam os testículos e o escroto, o abastecimento de sangue para a região fica irregular, podendo ir sangue demais ou de menos. É tal deficiência que altera as condições ideais para a produção dos espermatozóides. Quase sempre os testículos atrofiam, e o saco escrotal fica distendido, caído, um maior do que o outro. Neste caso, ocorre uma sensação de peso no saco escrotal. Mas a varicocele também pode ser assintomática, daí a importância da consulta médica de tempos em tempos.

Quando os espermatozóides desenvolvem-se defeituosos, isso acarreta a infertilidade do doente. Cerca de 40% dos homens estéreis tornaram-se incapazes de se reproduzir em função da varicocele. O auto-exame não é difícil de fazer. O melhor é fazê-lo durante ou após um banho quente, que relaxa o saco escrotal e facilita o apalpamento.

Consistência dos testículos deve ser sempre a mesma
Todos, especialmente os que estão entre 11 e 34 anos, devem fazer o exame ao menos uma vez por mês. Os médicos recomendam usar sempre as duas mãos para analisar cada um dos testículos. Verificar se os dois testículos têm o mesmo tamanho e consistência, isso porque normalmente um não pode estar mais duro do que o outro.

Se perceber algum dos testículos dolorido ao ser apalpado, e se há presença de pontos rígidos ou de caroços, isso é o alerta de que o médico deve ser procurado imediatamente. Podem ser sinais de agravamento da varicocele, ou ainda sinais de nódulos cancerígenos.

O médico a ser procurado é o urologista. Quanto mais cedo for descoberto o câncer, maiores as chances de cura e de um tratamento menos traumático. Em boa parte dos casos de varicocele a intervenção cirúrgica se faz necessária. São várias as técnicas, que consistem, basicamente, em bloquear o fluxo sangüíneo pela veia dilatada e rearranjar o sistema de irrigação de sangue.

Com isso o médico consegue aumentar o fluxo por veias não doentes do saco escrotal. Mas a melhor maneira de detectar este e outros potenciais problemas é prevenir sempre, o tempo todo. A consulta ao médico deve começar por volta dos 11 anos.

Fonte: Jornal do Commercio - Rio de Janeiro/RJ


 
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