04/08/1998

Miopia

O problema, que prejudica a visão à distância, pode ser definitivamente resolvido depois de cirurgia a laser, uma técnica pouco arriscada

Maria Clarice Dias

Não é fácil ser míope, as barreiras para levar uma vida confortável são grandes. A deficiência, quando é grave, obriga o indivíduo a se tornar escravo dos óculos ou das lentes de contato: antes mesmo de abrir os olhos ao acordar, já tateia atrás das lentes salvadoras. Quando o problema é suave, grau baixo, enxergar e dirigir à noite dão trabalho. Porém, a miopia, problema nos olhos que impede o indivíduo de enxergar bem os objetos à distância, arrumou um inimigo atroz: o laser.

Com a cirurgia a laser — sucessora mais moderna do bisturi de diamante, técnica antiga que envolvia um corte no olho para que o paciente recuperasse a visão perfeita — os que sofriam de ‘‘vista curta’’ comemoraram o fim do império dos óculos e lentes de contato e descobriram a possibilidade de fugir da ‘‘faca’’ para enxergar bem. Recentemente, o instituto norte-americano de controle de medicamentos e também de aparelhos cirúrgicos, a Food and Drug Administration (FDA), comprovou que a técnica conhecida com PRK, para curar miopias de graus mais baixos, oferece resultados excelentes.

A técnica LASIK, usada para graus mais altos, ainda está em fase de conclusão dos estudos. ‘‘O estudo da FDA é minucioso e demorado, mas outros trabalhos conceituados da área já evidenciaram a qualidade das técnicas’’, garante o oftalmologista e membro-titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Antônio Márcio Carvalho Luciano .

A diferença entre as duas técnicas está na forma como o olho é preparado para receber o laser. Quem determina o melhor método é sempre o oftalmologista. Para Celso Boianovsky, formado em oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina, apesar de o laser apresentar resultados excelentes, é importante avisar que a cirurgia oferece riscos. Há casos de hipocorreção, nos quais continua restando algum grau de miopia. Torna-se necessária uma segunda cirurgia para que o trabalho fique perfeito.

Pode, também, haver uma hipercorreção: de míope a visão passa a ser hipermétrope (a vista para longe fica corrigida, mas a visão para perto fica deficiente). Nesse caso, uma segunda cirurgia pode resolver o problema. Cerca de 2% dos indivíduos que se submetem à cirurgia para correção de miopia sofrem os efeitos negativos. ‘‘A maioria consegue os resultados esperados’’, diz Boianovsky.

A técnica em exames oftalmológicos, Maria de Lourdes da Silva, de 28 anos, temeu por muito tempo a cirurgia. Mas, quando passou a ter mais contato com a área e com os que haviam se livrado do problema depois do laser, decidiu arriscar. ‘‘O resultado foi tão espetacular que meu único arrependimento foi não tê-la feito antes. Meu grau zerou’’, conta. Lourdes tinha miopia nos dois olhos.

Em abril, passou a enxergar como nunca.

Antes da cirurgia, Lourdes não gostava de usar óculos — porque achava extremamente incômodo — nem lente de contato, por causa do clima seco de Brasília. ‘‘Eu vivia forçando a vista, com os olhos apertados, para conseguir enxergar alguma coisa.’’ As dores de cabeça eram diárias. Nos primeiros dias depois da cirurgia, Lourdes diz ter agido como se houvesse descoberto um novo mundo. ‘‘Tudo o que tinha escrito no meio da rua eu lia alto. Mais parecia uma criança aprendendo a ler’’, relata.

O que é
A miopia acontece principalmente por duas razões: córnea (lente mais externa do olho) muito curva ou tamanho do olho além do normal. A carga genética é o maior determinante da doença. Quem a tem enxerga mal objetos distantes

Quando surge

O problema começa a aparecer, normalmente, na pré-adolescência, se intensifica na adolescência e se estabiliza na idade adulta

Olho normal

Há no globo ocular duas lentes, a córnea e o cristalino, que direcionam os raios luminosos ao pólo posterior (mais no fundo) do olho. Nessa área, a luz é captada e fixa pela retina e transmitida pelo nervo óptico até o cérebro. Se a imagem é formada exatamente na retina, a visão é perfeita

Olho míope

O olho com miopia tem a córnea muito curva ou o eixo anteroposterior (horizontal) muito longo, não permitindo que a imagem chegue à retina. A imagem não consegue se fixar direito e os objetos distantes ficam embaçados

TRATAMENTO

Óculos
O inconveniente dos óculos é a limitação para a prática de exercícios, em especial os competitivos, além da redução do campo visual e dos reflexos do indivíduo

Lentes de contato
Corrigem bem as miopias, satisfazem a estética, mas podem causar intolerâncias, exigindo maiores cuidados

Cirurgia
As cirurgias refrativas procuram modificar a curva da córnea, determinando a formaçãocorreta da imagem na retina. A técnica mais moderna é feita com excimer laser

Tipos de cirurgia a laser
PRK
Duração:3 a 5 minutos

O Procedimento
Depois de minuciosos exames, o indivíduo é deitado em uma cama especial. Um aparelho, chamado blefarostato, é usado para fixar as pálpebras e impedir que os olhos se fechem durante a cirurgia. Um colírio anestésico consegue impedir a dor

O Laser
O PRK costuma ser indicado para graus mais baixos. O epitélio do olho (camada superficial sobre a córnea) é raspado para receber o laser, uma luz ultravioleta de alta energia. As células da córnea são pulverizadas com a aplicação do laser, e a córnea é aplanada. O epitélio, com o tempo, se regenera

LASIK
Duração:8 a 10 minutos

O Procedimento
A forma de preparo desse tipo de cirurgia é mais delicada. Depois de o indivíduo ter sido anestesiado com um colírio especial, é utilizado um aparelho chamado microcerátono, que levanta uma pequena camada da córnea para a aplicação do laser. A pálpebra também é fixa com o blefarostato

O Laser
A luz ultravioleta é a mesma da técnica PRK. A radiação, com uma precisão mais que milimétrica, transforma as células da córnea em água e gás carbônico. Depois da aplicação do laser, a camada superficial da córnea afastada pelo microcerátono é recolocada

Pós-operatório
Depois da cirurgia — tanto no caso da PRK quando no da LASIK — são usados colírios antiinflamatórios e antibióticos. Em geral, um olho é operado de cada vez

O tempo de recuperação pode variar de 24 horas a algumas semanas, dependendo da técnica utilizada e da capacidade de recuperação de cada um

Pode fazer a cirurgia
- Quem tem pelo menos um grau de miopia, mais de 18 anos e, principalmente, está com o problema estabilizado

Não pode fazer a cirurgia

- Quem tem ceratocone (tipo irregular de astigmatismo)

- Quem tem glaucoma

- Quem tiver inflamação nos olhos, em fase de tratamento

Os resultados
- 90% das pessoas que se submetem à cirurgia resolvem o problema

- 10% precisarão de uma segunda cirurgia para aperfeiçoar os efeitos

Riscos
A taxa de complicação depois da cirurgia varia em torno de 2%. Os problemas que podem surgir são:

Hipocorreção — quando ainda resta algum grau de miopia e há necessidade de uma segunda cirurgia

Hipercorreção — neste caso, o indivíduo deixa de ser míope e torna-se hipermétrope (visão deficiente para perto). Uma outra cirurgia pode resolver o problema

Cicatrização anormal — a superfície da córnea pode ficar levemente opaca e os olhos perdem a qualidade visual

DICAS

PARA DEPOIS DA OPERAÇÃO
Se a luz do sol incomodar, use óculos escuros

Evite esfregar os olhos

Evite piscinas e mar durante cerca de um mês

Não beba álcool, pois pode re


 
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