22/05/2000

O risco de pintar os cabelos na gravidez

Se a gravidez chega na idade madura, além das transformações no corpo surgem surpresas na cabeça: os cabelos não podem mais ser tingidos durante este período e a futura mãe pode levar um susto ao se conscientizar que passará nove meses de cabelos brancos. O que fazer? Nada, na opinião de dermatologistas e obstetras; muito pouco, na opinião de cabeleireiras, como a esteticista Marcelle Francisco, do Instituto de Beleza Downtown, grávida de três meses.

- A gestante só pode ter luzes nos cabelos. Os reflexos não chegam à raiz e não são absorvidos pelo couro cabeludo - diz a esteticista.

A dermatologista Paulina Kede explica que na farmacopéia americana Martin Dale não há relatos de que as substâncias utilizadas nas tintas e nos reflexos para cabelos, entre elas amônia e peróxido de hidrogênio (água oxigenada), causem problemas em fetos:

- No entanto, quando essas substâncias são absorvidas, inaladas ou aplicadas em concentrações altas, uma série de efeitos tóxicos, alérgicos e irritativos é descrita, até mesmo edema de glote - diz a médica.

Paulina comenta que o risco de absorção e inalação dessas substâncias, quando aplicadas topicamente no couro cabeludo, é mínimo ou quase nulo, mas, segundo ela, existe um consenso entre as empresas fabricantes de tinturas, Ministério da Saúde e obstetras na orientação da suspensão do uso durante a gravidez.

- Sabemos que na gestação as mulheres ficam mais sensíveis a determinados estímulos imunogênicos, podendo apresentar reações antes não observadas. Acredito que a gestação é um período sublime, de transformações tanto do corpo quanto dos valores. Gerar um ser é muito especial e essa fase deve ser respeitada, sem qualquer tipo de risco - recomenda.

Alguns obstetras liberam as tinturas após o primeiro trimestre, quando o risco de aborto espontâneo é menor. Depois deste período, alguns cabeleireiros já começam a aplicar tintas, mantendo a distância de um centímetro do couro cabeludo para evitar a chance de absorção.

Marcelle Francisco diz que as gestantes de cabelos brancos podem ser tornar louras de cabelos mechados. Se essa tonalidade não satisfaz totalmente, ao menos disfarça os temidos cabelos brancos.

- Até o terceiro mês, como é o meu caso, não se pode fazer realmente nada, segundo os médicos. Neste período, o feto está em fase de formação, especialmente o seu cérebro, e todo cuidado é pouco. Nenhum produto tóxico pode entrar em contato com a pele - comenta Marcelle.

Ela explica, no entanto, que após os três primeiros meses é possível usar produtos para fazer luzes e reflexos que não atingem as raízes dos fios.

- O couro cabeludo produz um sebo para proteger a abóbada craniana. Os produtos químicos de concentração muito alta atravessam esta camada de sebo e penetram no couro cabeludo. Por isto, não indico tinturas, nem depois do terceiro mês - diz.

Já as luzes, segundo ela, não atingem as raízes. Marcelle diz que os produtos têm um cheiro forte e devem ser aplicados em salões amplos e arejados:

- Eu faço luzes em muitas clientes grávidas para disfarçar os cabelos brancos e o resultado é excelente. Eu passo os produtos na parte de cima do cabelo, em tons ouro muito claro, bem semelhantes ao branco. As mechas se abrem misturando o ouro com o branco. Elas disfarçam bem os cabelos grisalhos. Até em castanho médio dá para fazer, deixando a parte de cima mais clara, sem atingir a raiz.

Marcelle comenta que as recomendações variam muito de acordo com o médico e a esteticista.

- Há médicos que proíbem até determinados xampus, como os de tintura tonalizante, pelos seus efeitos tóxicos. A hena tem baixa concentração tóxica, mas o efeito também não é tão satisfatório - diz.

A esteticista comenta que alguns médicos estendem a proibição ao uso de tinturas, permanentes e cremes alisantes mesmo depois do nascimento do bebê, para não ameaçar a amamentação:

- Os médicos não permitem que nada nocivo chegue ao leite. Estes produtos tóxicos são inalados pela mãe e podem prejudicar a amamentação. Cada mulher deve buscar o melhor caminho para preservar a saúde do filho.

Nenhum conselho estético, porém, deve ser seguido sem a orientação do obstetra que acompanha a gravidez.

Fonte: O Globo - Rio de Janeiro/RJ


 
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