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06/07/1999
Registrada nova suspeita de hantavírus
Trabalhador rural da Alta Paulista foi internado com sintomas da doença
LUIZ CARLOS LOPES
MARÍLIA - O tratorista José Nonato da Silva, de 33 anos, foi internado ontem na Santa Casa de Misericórdia de Tupi Paulista com suspeita de ser o mais novo caso de infecção por hantavírus, doença transmitida pelo rato-do-capim (Bolomys lasiurus), que já fez duas vítimas fatais este ano e outras duas em 1998, na região da Alta Paulista.
O paciente, residente em Castilho, trabalhava na colheita de sementes de capim brachiária, em uma plantação de Terra Nova do Oeste, distrito de Santa Mercedes, mesmo local onde possivelmente foi contaminado o trabalhador Roberto Carlos de Oliveira, de 19 anos, que morreu no dia 6 de junho, vítima da enfermidade.
Segundo o médico Ismael Domingos Pretti, secretário municipal da Saúde de Tupi Paulista, que o atendeu, Silva foi encaminhado pelas autoridades sanitárias de Santa Mercedes e chegou ao hospital com febre alta, palidez e fadiga intensas, além de fortes sintomas de gripe, um quadro semelhante ao apresentado pelas vítimas de hantavírus. "Além dos exames de praxe, pedimos a coleta de sangue para análise de hantavírus pelo Instituto Adolfo Lutz", informou.
Em Santa Mercedes, o secretário municipal da Saúde, Jonas Silva dos Santos, classificou como "piada de mau gosto" a informação de que, por ser um animal silvestre, o rato-do-capim está protegido pela legislação do meio ambiente e sua caça sujeita os infratores às penas da lei.
Ele também não concorda com os técnicos do Instituto Adolfo Lutz, que advertem para os riscos da população desencadear uma campanha de eliminação de ratos, pois isto pode aumentar o perigo de contaminação, já que o vírus existente na urina e fezes de animais contaminados se espalha com a poeira e pode ser absorvido pelos seres humanos através da boca, narinas e olhos.
Santos admitiu que o clima na cidade é de "preocupação total", agravado depois que o tratorista José Nonato da Silva foi internado. Por esse motivo, ele disse que vai continuar recomendando aos moradores o uso do veneno granulado Clerat para matar ratos nos depósitos de alimentos existentes na zona rural. De acordo com o secretário, apesar do clima tenso, até agora os órgãos estaduais da saúde não prestaram nenhuma orientação sobre a melhor forma de agir para combater a doença. "Não sabemos o que fazer", admitiu.
Em Caiabu, a funcionária da Secretaria Municipal Ivanilde Esteves disse que o órgão também aguarda orientação sobre a melhor forma de atuar no combate ao hantavírus. Em Presidente Prudente, Sandra Elotfi, diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde, com jurisdição sobre Caiabu e Santa Mercedes, admitiu que não existem normas definidas para o controle do hantavírus e as únicas recomendações que tem transmitido são no sentido de armazenar adequadamente os alimentos e manter limpos os locais freqüentados por roedores.
Iporanga - Com dois novos casos registrados ontem, chegou a 376 o número de pessoas que contraíram uma doença ainda não identificada, nos últimos dez dias, em Iporanga, no Vale do Ribeira, a 360 quilômetros de São Paulo. A cidade tem 4.750 habitantes e a maioria dos infectados é constituída por crianças. A doença causa febre alta, tosse, dores no corpo e inflamação na faringe. Foram colhidas amostras dos doentes para a identificação dos agentes causadores, mas os resultados ainda não ficaram prontos. (Colaborou José Maria Tomazela)
Fonte: O Estado de São Paulo - São Paulo/SP - 06.07.99
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